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”Opinião de…” Gabriel Pinto

Olá,

No artigo desta semana como prometido, irei dar a conhecer um pouco de interpretação. Para isso, conto com um amigo, Vítor Russo, com uma basta experiência na área que me vai responder a algumas questões sobre o ator e a interpretação no teatro. Para começar, quero agradecer por teres aceitado o meu convite e estares disposto a responder a tudo que te irei perguntar.

  Vítor: ‘’Obrigado eu, é sempre bom falar de teatro com amigos, para partilhar com os curiosos e com os que querem fazer disto vida.’’

Vítor, tu, que tens uma larga experiência na área teatral, com mais de dez anos, e focas-te mais no papel do ator no teatro, o que achas que é interpretação de uma personagem no Teatro? No fundo, o que significa para ti a interpretação no Teatro?

Vítor: ‘’ Para mim, interpretação é pormo-nos no lugar de outra pessoa e tentar deitar para fora as emoções que a personagem pede, o mais próximo possível. Às vezes temos de acessar partes do nosso espólio emocional que nem sabíamos que lá estavam. Outras temos de personificar pedaços de pessoas que conhecemos e usá-las no palco. Sempre com a verdade. Quando sinto que sou mais verdadeiro é quando estou tão concentrado quando estou a atuar e nas pessoas que estão em palco que por momentos me esqueço que há pessoas a assistir.

 Estou a fazer para a personagem com que estou a contracenar e não para o encenador ou o público ver, nem penso no momento se estou a fazer bem ou não porque isso corta a nossa ligação com o momento. A técnica, os movimentos e a dicção têm de estar bem trabalhados para saírem automaticamente quando fazemos o texto e podermos não nos preocupar com isso e focarmo-nos no que a personagem vive e sente e que imagens ela tem na cabeça enquanto fala. O que ela pensa enquanto fala, que por vezes não é o que ela diz e tão importante como o que ela diz. O que chamam de subtexto. O texto que não foi escrito, mas que está lá na mesma. Podia dizer mais coisas, mas para mim estes são dos ingredientes principais para uma boa interpretação.’’

Como disse anteriormente, acreditando que já realizaste várias personagens com a experiência que tens, no qual posso-me orgulhar já que por diversas vezes pude partilhar contigo o palco, consegues me dizer a personagem que te deu mais prazer? Se sim, qual foi e porquê?

Vítor: ‘’Já tive muitas boas experiências em cima do palco e é difícil escolher só uma, por isso vou escolher duas por razões diferentes. Uma delas é uma personagem principal de uma adaptação do Blackrider do Bob Wilson que chamava “Vaudeville, Muito Amor e Balas Mágicas”, em que a interpretação não era naturalista, tinha de exagerar as emoções, criar um boneco e uma voz diferente e jogar com tudo isso era desafiante. Para além de que tive de fazer uma atuação de circo que corria mal em que era um domador de pulgas amestradas em que elas acabavam por me atacar. Era muito engraçado. Também tive de cantar o “I’ll shoot the moon” do Tom Waits sozinho em palco em acapella, por isso era uma personagem cheia de desafios e foi muito gratificante. A outra foi o William do “Punk Rock” de Simon Stephens por causa da sua densidade psicológica. Principalmente a cena em que ele faz um tiroteio na escola foi algo que me deu muito gozo de fazer acho que por ser algo distante de mim e tentar perceber o que ele sentia enquanto fazia e como o ataque psicótico que lhe acontece o faz sentir. Acho que essa peça foi também um fechar de um ciclo para mim. Marcou-me muito.’’

No futuro a curto prazo imaginas-te a fazer mais que tipo de papéis ou quais gostavas de trabalhar e realizar que ainda não tiveste oportunidade de fazer?

Vítor: ‘’O que eu desejo fazer acima de tudo, são personagens que me desafiam, que me interessem, ou seja, que eu fique intrigado com a suas motivações e objetivos e queira entender o que ela viveu e vive na peça. Quando isso acontece fico muito feliz. Quanto a um género estou curioso por experimentar uma personagem do teatro do absurdo. É algo que está na minha lista do “para fazer”. Acho que a mistura entre o risível, o descabido e o emotivo é algo que deve dar gozo de explorar.’’

Quero agradecer-te pela tua disponibilidade em estares presente e responderes-me a estas questões e dizer-te que espero contar contigo em mais iniciativas como estas.

Vítor: ‘’Agradeço o convite, foi um prazer estar aqui a responder a estas perguntas e estou pronto para mais. E que continuemos a teatrar por aí, cheios de vontade.’’

A todos que leram, um abraço e até a próxima quinta-feira. Obrigado.