”Opinião de…” Gabriel Pinto

Olá,

Neste artigo irei falar um pouco da minha experiência com a interpretação de personagens no teatro que me envolvi e comentar o artigo da semana passada no qual tive o orgulho de entrevistar um colega e experiente amigo meu, Vítor Russo.

Para começar, quero tocar num ponto que acho extremamente importante e curioso que o meu amigo, Vítor, tinha falado no qual identifico-me por completo quando toca no ponto do que significa a interpretação e no trabalho do ator: ‘’Estou a fazer para a personagem com que estou a contracenar e não para o encenador ou o público ver, nem penso no momento se estou a fazer bem ou não porque isso corta a nossa ligação com o momento.’’. No fundo acaba por ser mesmo isto comigo e acredito que todos acabam por sentir isto, quando estamos concentrados totalmente num foco acreditamos que nada nos pode abstrair. Tal como o meu colega acredita que ‘’A técnica, os movimentos e a dicção têm de estar bem trabalhados para saírem automaticamente’’ eu também acredito que quando conseguimos ter estes ponto bem trabalhos, bem estudados, conseguimos não só mostrar uma melhor aceitação da personagem perante o público e para nos sentirmos bem connosco mesmo ao saber que conseguimos realizar com o êxito o nosso trabalho.

Falando agora um pouco de duas personagens que me marcaram, consigo destacar logo uma primeira que foi da peça ‘’O replay da vida de uma adolescente’’ de Diogo Moreira com encenação da Soraia Larassou no qual a minha personagem era o anjo. Esta peça era uma adaptação da grande obra ‘’auto da barca do inferno’’. Marcou-me, logo pelo facto de o anjo ser uma personagem homossexual e eu ter de romper completamente com o que eu tinha feito até ao momento (personagens curtas e idênticas ao meu ‘’eu’’) e ter sido também dos meus primeiros grandes desafios enquanto ator. Fiz esta peça acerca de quatro anos e hoje ainda me marca por eu agora conseguir estar com aprendizagens dessa altura, não só por ter sido um texto grande e ter aprendido mais técnicas de aprender a decorar, mas também de outros aspetos que me fez chegar ao processo final da construção do autor, como o movimento do corpo e algumas técnicas de projeção. Uma segunda personagem que me marcou foi o Bennett do “Punk Rock” de Simon Stephens que acabei por a realizar este ano, em Fevereiro. Como curiosidade, partilhei esta peça com o meu colega, Vítor, que esteve no meu último artigo no qual também referiu uma das suas personagens favoritas da sua carreira nesta peça. Gostei desta personagem e marcou-me não só por ter sido uma encenação fantástica do João Melo e da Luísa Pinto, mas também por acabar de ter de fazer um paralelismo do meu ‘’eu’’ e de outra personagem que não mostre que sou eu a fazer o papel e ter uma densidade emocional muito grande na parte final da peça onde há um tiroteio na escola e de repente a minha personagem passava de um rapaz forte para um ‘’chorão’’.

Em particularmente para o futuro, gostava de experimentar um pouco mais de teatro do improviso para melhorar ainda mais a minha vertente de improvisação e de estar em palco sempre com o mesmo ritmo e sem ‘’risadas’’. Gostava de experimentar também no futuro ainda uma personagem no teatro de absurdo para ver a sua intensidade. O stand-up comedy e o teatro das marionetas também acaba por ser dois tipos teatrais que irei apontar na lista de ‘’coisas para fazer’’, como dizia o meu colega no artigo passado.

Para terminar agradeço a todos que leram, um abraço e até a próxima quinta-feira. Obrigado.