”Opinião de…” Gabriel Pinto

Olá,

Com os anteriores artigos dedicado a interpretação, vou dedicar estes próximos dois para a encenação e o que é a encenação. Para isso, vou contar com mais uma colega minha, Débora Gavaia, que conta já com algumas encenações no currículo e tem no horizonte muitas mais e alguns projetos que pretende avançar no futuro, hoje, vai-nos falar um pouco sobre o assunto e dar a conhecer sobre os seus projetos em mente. Para começar, quero agradecer por teres aceitado o meu convite e estares disposto a responder a tudo que te irei perguntar.

  Débora: ‘’ Olá, sem problema, é com muito gosto que aceito esta proposta da tua parte. ‘’

Débora, tu já que contas com algumas encenações e trabalhos como atriz, consegues fazer um paralelismo entre as duas vertentes na área teatral? Com qual te identificas mais e porquê?

Débora: ‘Portanto, um paralelismo entre as duas vertentes teatrais, é possível, claro que é possível, bem, nem sempre  a representação usufruiu de encenação, o papel do encenador até é relativamente recente em relação ao tempo da representação, mas nos dias de hoje, o papel do encenador é fundamental para a criação de uma peça de teatro, de forma a que haja uma visão exterior do trabalho feito pelo ator(es). No entanto também é possível haver teatro sem encenação, o chamado improviso, mas o que é mais comum é mesmo o teatro encenado. Eu identifico me mais com a vertente da encenação pois acho incrível a possibilidade de pensar fora da caixa e ser realmente responsável pela criação de um projeto. ‘’

Na vertente de encenação, consegues me dar uma explicação sobre o que significa para ti a encenação e o porquê de muitos encenadores, nos dias de hoje, referirem que cada vez mais se torna difícil levar uma peça teatral a cena.

Débora: ‘’Como já referi, para mim a encenação é a possibilidade de criar algo em conjunto com os atores, tendo, no entanto, a possibilidade de ver o que está a ser feito sem necessariamente participar. Em relação à encenação nos dias de hoje, tanto no meio profissional como no meio amador, o teatro é levado como forma de entretenimento. Uma peça para ser levada a palco conta com meses de criação e preparação, mas atualmente, sendo o teatro visto como hobbie, principalmente no meio amador, não há a dedicação máxima o que significa que o trabalho que que seria realizado em 5 meses demora mais e mais até que acaba por ficar de parte, ou apenas ser apresentado uma vez. No meio profissional, embora já mais rigoroso, há o sistema de criação ou adaptação de uma ou duas peças por ano e espalhá-la por vários palcos, o que de certa forma é positivo levando a que o teatro chegue a toda a gente, mas por outro lado é negativo porque limita a criação de novos projetos em prol dos já existentes. ‘’

Em relação ao trabalho de encenação, o que achas que é mais difícil para o encenador? O trabalho com o ator, o desenhador de luz, cenógrafo, figurinista?

Débora: ‘’ Todo o trabalho de encenação requer empenho e dedicação assim como as restantes funções, claro que caso fosse necessário um ator fazer o desenho de luz sem qualquer experiência poderia ser um desastre e daí o encenador teria mais trabalho, mas dando se o caso de haver alguém especializado em cada área a fazer o seu trabalho, não vejo que haja qualquer dificuldade, em relação a cenografia e a figurinos, na minha opinião, deve ser um trabalho de todos em conjunto caso não haja quem realmente seja experiente no assunto. ‘’

Muito obrigado pelas tuas respostas e acredito que todos que nos leram acabaram por perceber mais sobre no fundo o que é a encenação teatral e o seu trabalho, espero contar contigo em próximas iniciativas como estas.

Débora: ‘’ Obrigada eu pela oportunidade e até uma próxima. ‘’

A todos que leram, um abraço e até a próxima quinta-feira. Obrigado.